twitter

Mostrando postagens com marcador literatura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador literatura. Mostrar todas as postagens

Em se tratando da prova relacionada a essa área do conhecimento – a Literatura –, você primeiramente precisa se conscientizar de que ela, assim como toda arte, é uma transfiguração do real, isto é, a realidade recriada por meio do espírito do artista vivendo em seu tempo.
Sendo assim, o artista, de acordo com sua ideologia, submetido a um contexto histórico, político e social, realiza um trabalho especial, cuja matéria-prima é a própria palavra. Dessa forma, torna-se evidente que em todo esse “manejo” predomina tão somente a função poética da linguagem, na qual a intenção do emissor, no caso o artista, é voltada para a própria mensagem, seja na estrutura ou na seleção e combinação das palavras, de forma a atingir plenamente seu objetivo “artístico”.
Com base nesses pressupostos, você terá condições de entender alguns dos objetivos referentes ao processo pelo qual irá passar, uma vez que é esperado que o aluno demonstre seus conhecimentos relacionados ao campo da Literatura, tendo em vista a capacidade de:
- Analisar, interpretar e aplicar recursos expressivos das linguagens, relacionando textos com seus contextos, mediante a natureza, função, organização, estrutura das manifestações, de acordo com as condições de produção e recepção.
- Estabelecer relações entre o texto literário e o momento de sua produção, situando aspectos do contexto histórico, social e político.
- Relacionar informações sobre concepções artísticas e procedimentos de construção do texto literário.
- Reconhecer a presença de valores sociais e humanos atualizáveis e permanentes no patrimônio literário nacional.
Torna-se importante ressaltar que tais objetivos estão intrinsecamente relacionados ao objetivo maior do Exame Nacional do Ensino Médio, que é – em vez de conduzi-lo a memorizações mecanicistas de conceitos – fazer com que você entenda acerca da aplicação dos termos e suas funções na língua. Vejamos, pois, como na prática isso funciona, partindo do exemplo de uma questão referente ao exame realizado no ano de 2009:       
Cárcere das almas

Ah! Toda a alma num cárcere anda presa,
Soluçando nas trevas, entre as grades
Do calabouço olhando imensidades,
Mares, estrelas, tardes, natureza.
Tudo se veste de uma igual grandeza
Quando a alma entre grilhões as liberdades
Sonha e, sonhando, as imortalidades
Rasga no etéreo o Espaço da Pureza.
Ó almas presas, mudas e fechadas
Nas prisões colossais e abandonadas,
Da Dor no calabouço, atroz, funéreo!
Nesses silêncios solitários, graves,
que chaveiro do Céu possui as chaves
para abrir-vos as portas do Mistério?!


CRUZ E SOUSA, J. Poesia completa. Florianópolis: Fundação Catarinense de Cultura /
Fundação Banco do Brasil, 1993.

Os elementos formais e temáticos relacionados ao contexto cultural do Simbolismo encontrados no poema Cárcere das almas, de Cruz e Sousa, são:
A- a opção pela abordagem, em linguagem simples e direta, de temas filosóficos.
B- a prevalência do lirismo amoroso e intimista em relação à temática nacionalista.
C- o refinamento estético da forma poética e o tratamento metafísico de temas universais.
D- a evidente preocupação do eu lírico com a realidade social expressa em imagens poéticas inovadoras.
E- a liberdade formal da estrutura poética que dispensa a rima e a métrica tradicionais em favor de temas do cotidiano.
Confira a resolução comentada do Brasil Escola acerca da questão em evidência:
A questão em evidência tem como verdadeira a alternativa “c”, pois, ao retratar sobre a questão do refinamento estético, ela se refere à construção formal, ora caracterizada pelo soneto, uma forma fixa que relembra os padrões clássicos, bem como a temática que reflete a ideologia simbolista, representando a crise de consciência do ser humano, levada às últimas consequências em função do contexto histórico pertencente à era em voga, ou seja, o Simbolismo.
Para manter-se informado e, sobretudo, “preparado” para obter um bom resultado na prova de Literatura, eis algumas dicas dos conteúdos que provavelmente serão cobrados. Aproveitando o momento, confira também sugestões de links nos quais poderá obter mais informações, ampliando assim seu conhecimento:
O Texto Literário

Estéticas literárias (estilos de época)

Tendências contemporâneas
Concretismo

Concretismo no Brasil 


Sintetizando, espera-se que você, caro (a) aluno (a), mediante tais elucidações, saiba aplicar de forma plausível seus conhecimentos, analisando todas as questões com a máxima atenção e atentando-se para as evidentes articulações entre os recursos expressivos e estruturais do texto literário e o processo social relacionado ao momento de sua produção.




Tiradentes - Inconfidência Mineira: influenciadora dos ideais árcades brasileiros
Tiradentes - Inconfidência Mineira: influenciadora dos ideais árcades brasileiros
O Arcadismo no Brasil teve início no ano de 1768, com a publicação do livro “Obras” de Cláudio Manuel da Costa.
Nesse período Portugal explorava suas colônias a fim de conseguir suprir seu déficit econômico. A economia brasileira estava voltada para a era do ouro, da mineração e, portanto, ao estado de Minas Gerais, campo de extração contínua de minérios. No entanto, os minérios começaram a ficar escassos e os impostos cobrados por Portugal aos colonos ficaram exorbitantes.
Surgiu, então, a necessidade do Brasil de buscar uma forma de se desvincular do seu explorador. Logo, os ideais revolucionários começaram a se desenvolver no Brasil, sob influências das Revoluções Industrial e Francesa, ocorridas na Europa, bem como do exemplo da independência das 13 colônias inglesas.

Enquanto na Europa surgia o trabalho assalariado, o Brasil ainda vivia o tempo de escravidão. Há um processo de revoltas no Brasil, contudo, a mais eloquente durante o período árcade é a Inconfidência Mineira, movimento que teve envolvimentos dos escritores árcades, como Tomás Antônio Gonzaga, Alvarenga Peixoto e Cláudio Manuel da Costa, além do dentista prático Tiradentes.

Como a tendência é do eixo cultural seguir o econômico, os escritores árcades são, na maioria, mineiros e algumas de suas produções literárias são voltadas ao ambiente das cidades históricas mineiras, principalmente Vila Rica.

O Arcadismo tem como características: a busca por uma vida simples, pastoril, a valorização da natureza e do viver o presente (pensamentos causados por inspiração a frases de Horácio “fugere urbem” – fugir da cidade e “carpe diem”- aproveite o dia).

Os principais autores árcades são: Cláudio Manoel da Costa, Tomás Antonio Gonzaga, Basílio da Gama, Silva Alvarenga e Frei José de Santa Rita Durão.
Por Sabrina Vilarinho
Graduada em Letras




Quadro representando um pastor de ovelhas – ilustração típica do Arcadismo
Quadro representando um pastor de ovelhas – ilustração típica do Arcadismo
O Arcadismo se inicia no início do ano de 1700 e por isso recebe o nome também de Setecentismo, ou ainda neoclassicismo. Esta última denominação surgiu do fato dos autores do período imitarem, não de uma forma pura, mas alguns aspectos da antiguidade greco-romana ou o chamado Classicismo, e também os escritores do Renascimento, os quais vieram logo após a idade clássica. O classicismo compreende a época literária do Renascimento, no qual o homem tem a visão antropocêntrica do mundo, ou seja, o homem como centro de todas as coisas. Os renascentistas prezavam as obras clássicas, já que tinham a convicção de que a arte tinha alcançado sua perfeição. Assim como os renascentistas, os escritores árcades pretendiam retomar o estilo clássico, contudo com uma nova maneira, denominada de Neoclássica, de observar as considerações artísticas abordadas naquele período, como a razão e a ciência, conceitos oriundos do Iluminismo.
 O Iluminismo é determinado pela revolução intelectual ocasionada por volta dos séculos XVII e XVIII, o qual trazia como lema: liberdade, igualdade e fraternidade, o que influenciou os pensamentos artísticos da época na Europa, e principalmente a Revolução Francesa, a independência das colônias inglesas da América Anglo-Saxônica e no Brasil, a Inconfidência Mineira.
 O novo modo de analisar a cientificidade e a racionalidade da época árcade fugia das convenções artísticas da época, já que os escritores retomam as características clássicas, como: bucolismo (busca de uma vida simples, pastoril), exaltação da natureza (refúgio poético, em oposição à vida urbana), pacificidade amorosa (relacionamentos tranquilos), a mitologia pagã, clareza na escrita com utilização de períodos curtos e versos sem rima. Os poetas árcades são frequentemente citados como fingidores poéticos, pois escrevem sobre temas que não correspondem com a realidade do período histórico, visto anteriormente.
 Um dos principais escritores árcades foi o poeta latino Horácio, que viveu entre 68 a.C. e 8 a.C., e foi influenciador do pensamento do “carpe diem”, viver agora, desfrutar do presente, adotado pelo Arcadismo e permanente até os dias de hoje.
Os principais autores do Arcadismo brasileiro são: Tomás Antônio Gonzaga, Cláudio Manuel da Costa e Santa Rita Durão.



A Literatura no Enem compreende a articulação entre os recursos expressivos e estruturais do texto literário e o processo social relacionado ao momento de sua produção.

Em se tratando da prova relacionada a essa área do conhecimento – a Literatura –, você primeiramente precisa se conscientizar de que ela, assim como toda arte, é uma transfiguração do real, isto é, a realidade recriada por meio do espírito do artista vivendo em seu tempo.
Sendo assim, o artista, de acordo com sua ideologia, submetido a um contexto histórico, político e social, realiza um trabalho especial, cuja matéria-prima é a própria palavra. Dessa forma, torna-se evidente que em todo esse “manejo” predomina tão somente a função poética da linguagem, na qual a intenção do emissor, no caso o artista, é voltada para a própria mensagem, seja na estrutura ou na seleção e combinação das palavras, de forma a atingir plenamente seu objetivo “artístico”.
Com base nesses pressupostos, você terá condições de entender alguns dos objetivos referentes ao processo pelo qual irá passar, uma vez que é esperado que o aluno demonstre seus conhecimentos relacionados ao campo da Literatura, tendo em vista a capacidade de:
- Analisar, interpretar e aplicar recursos expressivos das linguagens, relacionando textos com seus contextos, mediante a natureza, função, organização, estrutura das manifestações, de acordo com as condições de produção e recepção.
- Estabelecer relações entre o texto literário e o momento de sua produção, situando aspectos do contexto histórico, social e político.
- Relacionar informações sobre concepções artísticas e procedimentos de construção do texto literário.
- Reconhecer a presença de valores sociais e humanos atualizáveis e permanentes no patrimônio literário nacional.
Torna-se importante ressaltar que tais objetivos estão intrinsecamente relacionados ao objetivo maior do Exame Nacional do Ensino Médio, que é – em vez de conduzi-lo a memorizações mecanicistas de conceitos – fazer com que você entenda acerca da aplicação dos termos e suas funções na língua. Vejamos, pois, como na prática isso funciona, partindo do exemplo de uma questão referente ao exame realizado no ano de 2009:      
 
Cárcere das almas

Ah! Toda a alma num cárcere anda presa,
Soluçando nas trevas, entre as grades
Do calabouço olhando imensidades,
Mares, estrelas, tardes, natureza.

Tudo se veste de uma igual grandeza
Quando a alma entre grilhões as liberdades
Sonha e, sonhando, as imortalidades
Rasga no etéreo o Espaço da Pureza.

Ó almas presas, mudas e fechadas
Nas prisões colossais e abandonadas,
Da Dor no calabouço, atroz, funéreo!

Nesses silêncios solitários, graves,
que chaveiro do Céu possui as chaves
para abrir-vos as portas do Mistério?!


CRUZ E SOUSA, J. Poesia completa. Florianópolis: Fundação Catarinense de Cultura /
Fundação Banco do Brasil, 1993.


Os elementos formais e temáticos relacionados ao contexto cultural do Simbolismo encontrados no poema Cárcere das almas, de Cruz e Sousa, são:
A- a opção pela abordagem, em linguagem simples e direta, de temas filosóficos.
B- a prevalência do lirismo amoroso e intimista em relação à temática nacionalista.
C- o refinamento estético da forma poética e o tratamento metafísico de temas universais.
D- a evidente preocupação do eu lírico com a realidade social expressa em imagens poéticas inovadoras.
E- a liberdade formal da estrutura poética que dispensa a rima e a métrica tradicionais em favor de temas do cotidiano.
Confira a resolução comentada do Brasil Escola acerca da questão em evidência:
A questão em evidência tem como verdadeira a alternativa “c”, pois, ao retratar sobre a questão do refinamento estético, ela se refere à construção formal, ora caracterizada pelo soneto, uma forma fixa que relembra os padrões clássicos, bem como a temática que reflete a ideologia simbolista, representando a crise de consciência do ser humano, levada às últimas consequências em função do contexto histórico pertencente à era em voga, ou seja, o Simbolismo.
Para manter-se informado e, sobretudo, “preparado” para obter um bom resultado na prova de Literatura, eis algumas dicas dos conteúdos que provavelmente serão cobrados. Aproveitando o momento, confira também sugestões de links nos quais poderá obter mais informações, ampliando assim seu conhecimento:
O Texto Literário
As Funções da Linguagem

As Principais Relações entre Textos

Estrutura do Texto Narrativo
Narração

Figuras e Efeitos de Linguagem

Intertextualidade e Apropriação


O texto poético
Poesia e metalinguagem

Estéticas literárias (estilos de época)
Literatura de informação

Barroco

Barroco no Brasil

Neoclassicismo

Arcadismo no Brasil
Romantismo

Características do Romantismo


Realismo/Naturalismo

Realismo no Brasil

Naturalismo


Parnasianismo

Parnasianismo no Brasil


Simbolismo

Simbolismo no Brasil


Pré-simbolistas


Modernismo e tendências contemporâneas
O Modernismo no Brasil

Modernismo no Brasil  2ª fase

A Semana de Arte Moderna

Artistas da Arte Moderna


Grupos e tendências modernistas
Geração de 1930

Geração de 1945

Tendências contemporâneas
Concretismo

Concretismo no Brasil


Sintetizando, espera-se que você, caro (a) aluno (a), mediante tais elucidações, saiba aplicar de forma plausível seus conhecimentos, analisando todas as questões com a máxima atenção e atentando-se para as evidentes articulações entre os recursos expressivos e estruturais do texto literário e o processo social relacionado ao momento de sua produção.
Desejamos a você um excelente desempenho!



Machado de Assis tornou-se um dos grandes ícones da literatura nacional.

Joaquim Maria Machado de Assis nasceu dia 21 de junho de 1839, na cidade do Rio de Janeiro. O garoto pobre, filho de um operário mestiço chamado Francisco José de Assis e de Maria Leopoldina Machado de Assis, marcou a história da literatura brasileira. Ao contrário do que se imagina, a trajetória de Machado de Assis não o conduziu naturalmente para o mundo das letras. Ainda na infância o jovem “Machadinho”, como era carinhosamente chamado, perdeu sua mãe.

Durante sua infância e adolescência foi criado por Maria Inês, sua madrasta. A falta de recursos financeiros o obrigou a dividir seu tempo entre os estudos e o trabalho de vendedor de doces. Ainda sobre condições não muito favoráveis, Machado de Assis demonstrava possuir grande facilidade de aprendizado. Segundo alguns relatos – no tempo em que morou em São Cristóvão – aprendeu a falar francês com a dona de uma padaria da região.

Já aos 16 anos conseguiu publicar sua primeira obra literária na revista “Marmota Fluminense”, onde registrou as linhas do poema “Ela”. No ano seguinte, Machado conseguiu um cargo como tipógrafo na Imprensa Nacional e dividiu seu tempo com a criação de novos textos. Durante sua estadia na Imprensa Nacional, o escritor iniciante teve a oportunidade de conhecer Manuel Antônio de Almeida, diretor da instituição e autor do romance “Memórias de um sargento de milícias”.

O contato com o diretor lhe concedeu novas oportunidades no campo da literatura e o alcance de outros postos de trabalho. Aos 19 anos de idade, Machado de Assis se tornou colaborador e revisor do Jornal Marmota Fluminense. Nesse período conheceu outros expressivos escritores de seu tempo, como José de Alencar, Gonçalves Dias, Manoel de Macedo e Manoel Antônio de Almeida. Nesse tempo ainda se dedicou à escrita de obras românticas e ao trabalho jornalístico.

Entre 1859 e 1860, conseguiu emprego como colaborador e revisor de diferentes meios de comunicação da época. Entre outros jornais e revistas, Machado de Assis escreveu para o Correio Mercantil, Diário do Rio de Janeiro, O Espelho, A Semana Ilustrada e Jornal das Famílias. A primeira obra impressa de Machado de Assis foi o livro “Queda que as mulheres têm para os tolos”, onde aparece como tradutor. Na década de 1860, consolidou sua carreira profissional como revisor e editor.

Na mesma época conheceu Faustino Xavier de Novais, diretor da revista “O futuro” e irmão de sua futura esposa. Seu casamento com Carolina foi bem sucedido e marcado pela afinidade que sua companheira também possuía com o mundo da literatura. Em 1867, Machado de Assis publicou seu primeiro livro de poesias, intitulado “Crisálidas”. O sucesso da carreira literária teve seqüência com a publicação do romance “Ressurreição”, de 1872.

A vida de intelectual foi amparada por uma promissora carreira constituída no funcionalismo público. A conquista do cargo de primeiro oficial da Secretaria de Estado do Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas ofereceu uma razoável condição de vida. No ano de 1874, produziu o romance “A mão e a luva” em uma seqüência de publicações realizadas dentro do jornal O Globo, na época, mantido por Quintino Bocaiúva.

O prestígio artístico de Machado de Assis o tornou um autor de grande popularidade. Durante as comemorações do tricentenário de Luís de Camões, produziu uma peça de teatro encenada no Imperial Teatro Dom Pedro II. Entre 1881 e 1897, o jornal Gazeta de Notícias abrigou grande parte daquelas que seriam consideradas suas melhores crônicas.
O ano de 1881 foi marcante para a carreira artística e burocrática de Machado de Assis. Naquele mesmo ano, Machado tornou-se oficial de gabinete do ministério em que trabalhava e publicou o romance “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, considerado de suma importância para o realismo na literatura brasileira.

A ampla rede de relações e amizades de Machado de Assis lhe abriu portas para um outro importante passo na história da literatura brasileira. Em reuniões com seu amigo, e também escritor, José Veríssimo confabulou as primeiras medidas para a criação da Academia Brasileira de Letras. Participando ativamente das reuniões de escritores que apoiavam tal projeto, Machado de Assis tornou-se o primeiro presidente da instituição. Com a sua morte, em 1908, foi sucedido por Rui Barbosa.

A trajetória de Machado de Assis é alvo de interesse dos apreciadores da literatura e de vários pesquisadores. A sua obra conta com um leque temático e estilístico bastante variado, dificultando bastante o enquadramento de seu legado em um único gênero. O impacto da sua obra chegou a figurá-lo entre os principais nomes da literatura internacional.

Fonte: http://www.brasilescola.com/literatura/biografia-machado-assis.htm



Artigos de "Literatura"


Alphonsus de Guimaraens



Simbolismo, amor e morte






Hão de chorar por ela os cinamomos / Murchando as flores ao tombar do dia.










Poeta simbolista, nascido em Minas Gerais no ano de 1870, Alphonsus de Guimaraens dedicou-se a uma escrita que privilegiava temas como o amor, a morte e a religiosidade.






Trata-se de um dos poetas brasileiros mais místicos. Além dessa característica, encontramos em seus poemas a nostalgia de um tempo e de um espaço esfumaçados na memória, impondo-se para sobreviver no presente.






Mas há outros temas na obra de Alphonsus de Guimaraens: a solidão, por exemplo, agravada pela percepção da dualidade entre corpo e alma; o isolamento experimentado pelo homem ao entrar nas imensas catedrais (imagem do homem em contato com Deus); a loucura, como efeito da angústia para romper a distância entre o celestial e o terreno; e a desilusão, como se o belo e o perfeito tivessem sido subtraídos da condição humana.






Todos esses temas estão na lírica de Alphonsus, sedimentados pela elegância da métrica, pela rima e pela musicalidade tecida nos poemas.






Com apenas 18 anos, Alphonsus sofreu uma grave perda: alguns biógrafos dizem que a morte de sua noiva, Constança, teria exercido uma forte influência sobre seu trabalho. Seus poemas são em grande parte dedicados a ela e a esse amor sublimado, interrompido precocemente.










Estudo de poemas


A seguir, vamos analisar alguns poemas de Alphonsus de Guimaraens, começando por "Hão de chorar por ela os cinamomos":






Hão de chorar por ela os cinamomos,


Murchando as flores ao tombar do dia.


Dos laranjais hão de cair os pomos,


Lembrando-se daquela que os colhia.










As estrelas dirão - "Ai! nada somos,


Pois ela se morreu silente e fria... "


E pondo os olhos nela como pomos,


Hão de chorar a irmã que lhes sorria.






A lua, que lhe foi mãe carinhosa,


Que a viu nascer e amar, há de envolvê-la


Entre lírios e pétalas de rosa.






Os meus sonhos de amor serão defuntos...


E os arcanjos dirão no azul ao vê-la,


Pensando em mim: - "Por que não vieram juntos?"














Como vemos, Alphonsus dedicou-se obsessivamente à evocação da morte em seus poemas, cingida por elementos representativos, tais como as flores murchas, a cor lilás, o predomínio da noite sobre o dia, os anjos, o sorriso de outrora convertido em lágrimas e o ressentimento daquele que permaneceu solitário, impedido de acompanhar o ser amado na morte.






No poema "A catedral" (ver abaixo), acompanhamos as ilusões do poeta. Elas têm início no amanhecer - a juventude - e, à medida que o dia avança rumo à noite - ou seja, a maturidade, a agonia -, alimentada pelo sono repleto de sonhos atormentados, as ilusões seguem num crescendo, intensificadas pela dor, pelo sofrimento.






A luz é aparente: ela toca apenas o corpo do poeta, mas não chega à sua alma obscurecida; e os sinos, semelhantes a anjos que falam dos céus, lamentam a triste sina de Alphonsus:






Entre brumas ao longe surge a aurora,


O hialino orvalho aos poucos se evapora,


Agoniza o arrebol.


A catedral ebúrnea do meu sonho


Aparece na paz do céu risonho


Toda branca de sol.






E o sino canta em lúgubres responsos:


"Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!"






O astro glorioso segue a eterna estrada.


Uma áurea seta lhe cintila em cada


Refulgente raio de luz.


A catedral ebúrnea do meu sonho,


Onde os meus olhos tão cansados ponho,


Recebe a bênção de Jesus.






E o sino clama em lúgubres responsos:


"Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!"






Por entre lírios e lilases desce


A tarde esquiva: amargurada prece


Põe-se a luz a rezar.


A catedral ebúrnea do meu sonho


Aparece na paz do céu tristonho


Toda branca de luar.






E o sino chora em lúgubres responsos:


"Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!"






O céu é todo trevas: o vento uiva.


Do relâmpago a cabeleira ruiva


Vem açoitar o rosto meu.


A catedral ebúrnea do meu sonho


Afunda-se no caos do céu medonho


Como um astro que já morreu.






E o sino chora em lúgubres responsos:


"Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!"










No caso de "Ismália" (veja abaixo), o poema expressa a dualidade entre corpo e alma. Aqui está revelada a imagem de todo homem preso ao desejo de unir matéria e espírito, mas frustrado pela consciência da distância intransponível que o separa de seu objetivo.






Levada, sutil e delicadamente, por um desvario, Ismália se permite sonhar com o possível encontro de matéria e espírito. Mas, já que ele não é realizável em vida, então é à morte que Ismália se entrega. No entanto, essa entrega está banhada por uma singeleza única: semelhante a um anjo, sua alma sobe embalada por um cântico, enquanto seu corpo repousa na imensidão do oceano.






Fica a impressão de que, para Ismália, não bastaria o reflexo da lua - que bem poderíamos entender como símbolo do poder celestial - sobre o mar (a vida terrena). Desse modo, a experimentação de um sentimento de completude não se daria apenas pela presença constante do divino no cotidiano, mas sim pelo encontro com o Absoluto, o que lhe exigiria transpor a fronteira da vida para a morte:






Quando Ismália enlouqueceu,


Pôs-se na torre a sonhar...


Viu uma lua no céu,


Viu outra lua no mar.






No sonho em que se perdeu,


Banhou-se toda em luar...


Queria subir ao céu,


Queria descer ao mar...






E, no desvario seu,


Na torre pôs-se a cantar...


Estava longe do céu...


Estava longe do mar...






E como um anjo pendeu


As asas para voar...


Queria a lua do céu,


Queria a lua do mar...






As asas que Deus lhe deu


Ruflaram de par em par...


Sua alma, subiu ao céu,


Seu corpo desceu ao mar...














O poeta e o modernismo


A obra de Alphonsus teve forte repercussão entre os modernistas das primeiras décadas do século 20. Embora aqueles escritores procurassem romper as amarras com o passado - para promover o novo na estética literária -, Alphonsus foi prestigiado como uma referência, despertando o interesse de autores como Mário de Andrade, Jacques d'Avray (pseudônimo de José de Freitas Vale) e Oswald de Andrade.






Havia, sem dúvida, no trabalho do autor mineiro um diálogo vigoroso com expressões que seriam cultuadas pelos jovens modernistas: mais maduro, Alphonsus experimentou uma escrita que se aproxima da paródia e do popular, a exemplo de "Epigrama":






Na próxima revisão eleitoral, serão suprimidos das listas todos os eleitores mortos (De um jornal)






Empreguei a medicina


Para fins eleitorais...


Ai de mim! ai triste sina!


Os mortos não voltam mais.


Dr. Rapadura Dr. Raa Dr. Rapadura














Para conhecer mais


Para aqueles que desejarem ampliar seus conhecimentos sobre a vida e a obra de Alphonsus, destacamos os estudos de Manuel Bandeira e de Henriqueta Lisboa, publicados nas décadas de 1940 e 1950, além do ensaio produzido por Eduardo Portella para a edição das Obras completas (1960), também disponível no volume Poesia completa de Alphonsus de Guimaraens, da Editora Nova Aguilar.