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Popper formulou o modelo hipotético-dedutivo
Na Filosofia da Ciência contemporânea há duas tendências que avaliam os procedimentos e fundamentos do cientista. Uma é a Tendência Histórica e a outra é a Tendência Analítica.
Assim como o Círculo de Viena, Popper faz parte da Tendência Analítica que prioriza o aspecto metodológico no desenvolvimento científico, o também chamado contexto de justificação. Porém, apesar da adesão comum, Popper é, talvez, o crítico imediato de tudo o que foi estabelecido no Círculo de Viena.
Em primeiro lugar, Popper não elimina a metafísica; simplesmente, assim como Kant, tenta delimitar os campos de atuação desta e da ciência. Em segundo lugar, esta delimitação ocorre pelo fato de Popper não atentar para o conceito de significação, unicamente como critério de demarcação ou de impossibilidade da metafísica. Em terceiro lugar, Popper critica a forma de proceder por indução. Esta permitiria apenas uma semelhança de regularidade que proporcionaria uma coletânea de fatos que impossibilita que se refute uma teoria.
Por conseguinte, Popper formulou um novo método. É o modelo hipotético-dedutivo. Para Popper, a busca do conhecimento não se dá a partir da simples observação de fatos e inferência de enunciados. Na verdade, esta nova concepção pressupõe um interesse do sujeito em conhecer determinada realidade que o seu quadro de referências já não mais satisfaz. Por isso, a mera observação não é levada em conta, mas sim uma observação intencionalizada, orientada e seletiva que busca criar um novo quadro de referências.
É assim que surge o modelo hipotético-dedutivo. A partir da seleção do objeto a ser observado, e verificada a insuficiência do quadro de referências, o cientista formula uma hipótese geral da qual se deduzem consequências que permitem a possibilidade de uma experiência. Aqui já não mais é necessário verificar para atribuir significado, isto é, verdade ou falsidade, mas a tentativa é de refutar a teoria que permite o estabelecimento de um conhecimento e a possibilidade de seu desenvolvimento. É o critério da Falseabilidade.
A Falseabilidade ou sua tentativa é, pois, o critério de demarcação entre o que é científico e o que é metafísico, mítico ou poético etc., substituindo o conceito deVerificabilidade do Círculo de Viena. Para Popper, este método caracteriza (senão acentua) o aspecto criativo da ciência em detrimento ao modelo da inferência que não responde por nenhuma expectativa do sujeito/cientista.
Por João Francisco P. Cabral
Colaborador Brasil Escola
Graduado em Filosofia pela Universidade Federal de Uberlândia - UFU
Mestrando em Filosofia pela Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP




Compreenda a relação entre a tragédia edipiana e o Complexo de Édipo proposto por Sigmund Freud.


Uma profecia foi anunciada ao rei de Tebas, Laios. Preocupado com sua infertilidade, ele foi consultar o oráculo que lhe disse que era uma benção não gozar da paternidade, pois um filho de sua esposa, Jocasta, o arruinaria, destronando-o e tomando sua esposa. Assim, o rei afastou a rainha de seu leito. Jocasta, percebendo a distância, embebedou-o para poder com ele se deitar e conceber. Quando a criança nasceu, o rei mandou matá-la. Um escravo furou o pé da criança e o pendurou num monte para que perecesse e os abutres o comessem.
Mas uma infeliz coincidência fez com que um pastor resgatasse a criança e a entregou para ser criada pelo rei Polibo de Corinto que não tinha filho. A criança foi chamada de Édipo (por ter os pés inchados).  Atingindo a idade adulta, Édipo consultou o oráculo e este lhe disse que ele desgraçaria sua família, assassinando seu pai e tomando sua mãe por esposa. Por amar seus pais adotivos, Édipo resolveu partir de Corinto.
Numa estrada, Édipo encontrou-se com Laios que o ordenou a sair da frente da condução, ao que Édipo disse que não iria obedecer senão a seus pais e aos deuses. Um escravo de Laios, então, passou por cima do pé de Édipo, que, tomado de raiva, matou a todos sem saber que Laios era, na verdade, seu pai biológico. Laios tinha saído de Tebas à procura de solucionar o problema da Esfinge, uma praga que assolava sua cidade. Este monstro criou um enigma: “O que tem às vezes 2, às vezes 3, às vezes 4 pernas e quanto mais tem, mais fraco é?” Quem não acertasse a resposta seria devorado e a peste continuaria assolando a cidade. Édipo que se encontrou com o mostro resolveu o enigma: é o homem, pois ele engatinha quando criança, anda quando adulto e usa bengala quando velho. A esfinge se autodestruiu e a cidade foi salva, aclamando Édipo como novo rei. Com isso, ele tomou Jocasta, sua mãe, por esposa, sem o saber. Assim, uma nova desgraça caiu sobre a cidade e para ser reparado o erro, as profecias pediram que o tebano que o cometeu morresse.
Sem saber de quem se tratava, o mistério só foi revelado quando a mãe de criação de Édipo, Peribeia, em uma carta, revelou a adoção de Édipo. Jocasta se matou ao saber que tinha se tornado esposa de seu filho, com o qual teve quatro filhos, e Édipo, com o camafeu (um alfinete) de Jocasta, cegou-se e saiu vagando no exílio.
Ora, essa tragédia se realizou porque a todo instante cada escolha foi feita tentando evitá-la. Destino, fatalismo ou liberdade? Eis a questão que pairou numa Grécia que visava consolidar a democracia após um período de aristocracia com base nos mitos e também, nos tempos modernos, para explicar o funcionamento da psique humana. Freud construiu o famoso “Complexo de Édipo” usando o exemplo da tragédia para elucidar as questões mais fundamentais da sexualidade humana. A psicanálise entende que há uma estreita e profunda relação sentimental entre o filho e a mãe, que gera satisfação e prazer inconsciente no contato com a amamentação, além da imagem do pai, na visão da criança, como competidor. Nas suas várias fases de desenvolvimento, há uma tendência ao prazer sexual, segundo a forma como cada uma delas é desenvolvida (fase oral, anal e sexual).
Uma lembrança importante: houve uma tentativa de imitar a história da tragédia grega na telenovela brasileira nos fins da década de 80. Em 1987, Mandala foi ao ar pela Rede Globo, numa adaptação de Dias Gomes do texto de Sófocles e protagonizada por Vera Fischer, Felipe Camargo e Nuno Leal Maia, entre outros



Artigos de "Filosofia"


A palavra filosofia é de origem grega. É composta por duas outras: philo e sophia. Philo deriva-se de philia, que significa amizade, amor fraterno, respeito entre os iguais. Sophia quer dizer sabedoria e dela vem à palavra sophos, sábio.

Filosofia



Filosofia significa, portanto, amizade pela sabedoria, amor e respeito pelo saber. Filósofo: o que ama a sabedoria, tem amizade pelo saber, deseja saber. Assim a filosofia indica um estado de espírito da pessoa que ama, isto é, daquela que deseja o conhecimento, o estima, o procura e o respeita.

Pitágoras de Samos teria afirmado que a sabedoria plena e completa pertence aos deuses, mas que os homens podem desejá-la ou amá-la, tornando-se filósofos. “Quem quiser ser filósofo necessitara infantilizar-se, transformar-se em menino”. (M. Garcia Morente).

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